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Centenas de Irlandeses violentados por padres buscam ajuda
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Por Admin   
27 de November de 2009
Centenas de vítimas de abuso sexual em paróquias católicas de Dublin entraram em contato com serviços de aconselhamento psicológico, na quinta-feira, após a divulgação de um relatório ter mostrado que arcebispos acobertaram obsessivamente décadas de abusos amplos.

Os serviços de aconselhamento disseram que o relatório, que detalhou numerosos exemplos de violência e disse que um padre abusou sexualmente de mais de cem crianças, desencadearam as memórias das vítimas e levaram muitas delas a vir a público pela primeira vez.

O serviço de aconselhamento Faoiseamh, montado pela Igreja Católica, disse que os telefonemas triplicaram esta semana, e o Centro de Crise de Estupros de Dublin disse que o número de chamados de vítimas saltaram de uma média diária de 25 para mais de 140 na quarta-feira.

"Houve uma avalanche de chamados", disse à Reuters a executiva-chefe do Centro, Ellen O'Malley-Dunlop.

"A maioria era de pessoas que estava ligando pela primeira vez, que estavam sofrendo muito e cujas memórias tinham sido reativadas. Elas se sentem péssimas por não terem se manifestado antes, mas a natureza desse crime é justamente essa: silenciar as pessoas", disse ela.

O relatório do inquérito foi divulgado seis meses após um relatório igualmente condenatório e ainda mais explícito sobre açoitamentos, trabalho escravo e estupros coletivos que eram comuns em escolas industriais e reformatórios administrados pela Igreja em fase anterior do século 20.

O Centro de Crise de Estupros de Dublin disse que o número de pessoas que o procuraram subiu 300 por cento após a divulgação do chamado relatório Ryan, em maio, mas que subiu mais ainda na quarta-feira.

"Após o relatório Ryan recebemos ligações de pessoas mais velhas, mas ontem à noite houve muitos homens mais jovens, na casa dos 30 anos, que estavam totalmente arrasados", disse O'Malley-Dunlop.

Grupos de vítimas exortaram o ministro da Justiça, Dermot Ahern, a estender as investigações a todas as arquidioceses do país, mas o bispo auxiliar de Dublin disse que, em vez disso, o tempo e o dinheiro devem ser investidos no aprimoramento dos serviços de proteção à infância.

O bispo Eamonn Walsh disse à Reuters que uma investigação igualmente ampla sobre abusos cometidos apenas em outras áreas de Dublin levaria vários anos e simplesmente traria os mesmos resultados.

"Podemos fazer duas coisas: passar os próximos dez anos investigando o que aconteceu entre 1960 e 2000 ou aprender com o que aconteceu, destilar tudo e definir o que precisamos fazer agora", disse Walsh, referindo-se ao período coberto no novo relatório.

"É preciso investir nossa energia e nosso dinheiro na proteção das crianças através de serviços civis e da igreja. O que queremos é ter profissionais fazendo o trabalho que nós, da igreja, fizemos de maneira inepta no passado, com resultados desastrosos."
 
Fonte: Reut
Última Atualização ( 27 de November de 2009 )
 
Mais uma diocese americana vai a falência por causa de padres tarados
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Por Admin   
19 de October de 2009
Uma diocese católica do Estado americano de Delaware entrou com pedido de falência na noite de domingo na véspera de um julgamento sobre abusos sexuais cometidos por padres.

A medida adia automaticamente o julgamento, que estava previsto para esta segunda-feira.

O bispo da diocese de Wilmington, que abrange os Estados de Delaware e Maryland, disse que o pedido de falência seria a melhor forma de beneficiar todas as vítimas, mas a decisão foi criticada pelo advogado que acusa a instituição religiosa.

O bispo Francis Malooly argumenta, em um texto publicado no site da diocese na internet, que as negociações da Igreja com oito vítimas de abuso sexual fracassaram.

'Dolorosa'

Caso eles ganhassem o processo nesta segunda-feira, a quantia pedida deixaria a diocese sem recursos para pagar outras 133 pessoas que têm processos semelhantes contra a instituição.

"Esta é uma decisão dolorosa, uma que eu esperei e rezei para que nunca tivesse que fazer", disse Malooly, no texto.

"Entrar com um pedido no Capítulo 11 [da lei de falência] é a melhor oportunidade, dados os recursos limitados, para dar o tratamento mais justo possível a todas as vítimas de abuso sexual por padres da nossa diocese."

Para o advogado Thomas Neuberger, que representa 88 vítimas, a medida foi uma forma desesperada da diocese para impedir que a verdade fosse revelada, já que a Igreja teria de apresentar documentos às autoridades durante o julgamento.

"Este pedido é o mais recente e triste capítulo na história de décadas de acobertamento destes crimes condenáveis para manter em segredo a responsabilidade e cumplicidade do abuso de centenas de crianças católicas", disse Neuberger, em nota à imprensa.

Wilmington é a sétima diocese americana a pedir falência devido a prejuízos provocados por escândalos sexuais. A primeira a fazê-lo foi a arquidiocese de Boston, em 2002.

Até agora, a diocese pagou US$ 6,2 milhões a vítimas de abusos. O maior pagamento do tipo até hoje foi feito pela arquidiocese de Los Angeles, que em julho de 2007 desembolsou US$ 660 milhões com 508 vítimas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados.
 
Interessante que, no Brasil, apesar da existência de casos de abuso sexual até mais numerosos que os americanos, nada ocorre. O fato é óbvio, o catolicismo está enraizado nos poderes. No exército (capelães  (somente católicos podem ser) são pagos com dinheiro do contribuinte), no judiciário (há imagens católicas em quase todos tribunais) e legislativo (imagens católicas, feriados são criados para "santos padroeiros" em todas as cidades).
 
Neste país, a separação da igreja católica com o Estado está apenas na constituição, mas ninguém cumpre, pois as mãos podres da igreja católica estão em todos os lugares.
 
Fonte: BBC.
Última Atualização ( 19 de October de 2009 )
 
Barriga de Aluguel: É preciso repensar a questão legal
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Por Admin   
24 de June de 2009

A “barriga de aluguel” ou “mãe substituta” (como se denomina hoje) se define como uma mulher que por acordo engravida para entregar a criança a uma outra mulher ou família.  A “gravidez por substituição” ou” mãe por substituição”, no entanto, é até hoje rejeitada como conceito pela sociedade brasileira. 

 

Como é realizado o procedimento biologicamente:

O procedimento normalmente é realizado através de fertilização in vitro na qual fecunda-se o óvulo da futura mãe com o espermatozóide do futuro pai em laboratório e transfere-se o embrião para o útero da mãe substituta. 

Em alguns casos, no entanto, a futura mãe também não possui mais óvulos viáveis ou não os possui mais por completo.  A doação de óvulos no Brasil é feita impreterivelmente de forma anônima.  A doadora é escolhida geralmente a partir de uma semelhança dos dados entre esta e a futura mãe, além de uma foto de infância da doadora, sendo mantida a identidade de ambas anônimas entre si.  Portanto, em qualquer dos dois casos, no Brasil, segundo a lei, o embrião jamais terá qualquer carga genética advinda da mãe substituta.  Essa exigência não é a nível mundial, e nem tampouco é o corrente na ilegalidade, podendo nestes casos a prática de que a mãe substituta também seja a biológica, o que traria um gravíssimo problema ético a questão, mas este texto não pretende abordar este quadro.


Em que casos essa alternativa é útil:

Essa alternativa de um “útero substituto” é buscada por mulheres que estão impossibilitadas biologicamente de engravidar.  Por exemplo: as mulheres que tiveram que extrair o útero; que possuem algumas anomalias uterinas; que sofreram danos no útero quer por operação, infecção, miomas, endometriose, câncer; que possuem doenças graves transmissíveis ao feto; que possuem risco de morte em caso de gravidez; que sofrem de aborto recorrente de causa desconhecida ou não passível de ser tratada; entre outros casos. 

Ao contrário do que muitos imaginam, o procedimento não é indicado pela simples idade avançada materna, uma vez que o útero demora mais a envelhecer que os ovários, podendo a mulher até mesmo na menopausa engravidar com óvulos doados.

 

Qual a definição dada pela lei:

No Brasil a lei limita que o procedimento de “útero emprestado” só possa ser realizado entre parentes até 3º grau.  Os demais casos precisam ser levados ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para aprovação, o que demanda um tempo, que conforme relatado por um médico de fertilidade em 2007, levava em torno de 1 ano.  Mas em qualquer caso, só é aceito em regime solidário, sem fins lucrativos, podendo os futuros pais pagar apenas as despesas médicas da mãe substituta. 

Os entraves jurídicos atualmente tornam o procedimento inviável para a maioria das mulheres que não possuem parentes em condições de substituí-la.  Os custos da fertilização in vitro (FIV) já são naturalmente elevados, variando entre 8 mil e 12 mil reais, fora os medicamentos que ficam entre 3 mil e 6 mil.  As chances de sucesso de uma FIV são de 35% a 40%, no entanto, com a idade caem significativamente, chegando a números bastante reduzidos em torno de 40 anos.  O que faria com que o procedimento provavelmente devesse ser repetido por diversas vezes na tentativa de se obter sucesso.  Qualquer tempo perdido, como o tempo para conseguir levantar os recursos a fim de realizar a fertilização ou o tempo para conseguir a aprovação do CRM pode tornar inviável o tratamento, uma vez que a fertilidade feminina decai rapidamente após certa faixa etária, e alguns problemas de saúde podem comprometer inclusive o funcionamento dos ovários prematuramente. 

Devido à lei que proíbe a comercialização do útero emprestado, a oferta comercial acaba sendo feita ilegalmente.  Como tudo que é ilegal, os custos são elevadíssimos, já havendo casos em que o valor cobrado foi de mais de 100 mil reais.  O desespero do casal que busca esse sonho natural de ter um filho com suas características genéticas pode levar a margem da legalidade, com todos os riscos que isso pode trazer para a criança, para o casal e para a mãe substituta.


O nosso inconsciente e a dificuldade em aceitar a mãe substituta:

Por que então é mais fácil alguém aceitar que a mulher tenha um filho que não será biologicamente dela, contanto que ela engravide, do que ter um filho biológico com uma mãe substituta?  Acredito que apesar do avanço da ciência e do ensino da genética básica que tivemos no colégio, a reprodução ainda está muito associada ao evento gravidez.  Muitas mulheres consideram que se não passarem pela experiência da gravidez, não são mães tão completas.  A associação da filiação está mais ligada no inconsciente coletivo ao bebê saindo de dentro da barriga após o parto do que a carga genética.  Além disso, uma novela televisionada de muito sucesso nos anos 90, período em que o procedimento passou a ser divulgado no Brasil, também contribuiu para confundir a população quanto ao assunto, por mostrar uma mãe de aluguel jovem e sem filhos, tratando o tema de forma muito parcial.

No entanto essa visão não é mundial, uma vez que nos EUA a aceitação da barriga de aluguel como atividade lucrativa é bastante maior, sendo o procedimento aprovado em alguns estados e acatado por muitos.

Diante disso o que temos no Brasil?  Pela dificuldade de uma parte da sociedade ainda em entender a barriga de aluguel, mulheres são privadas da possibilidade de ter seu filho biológico.  Assim como em outros casos, raramente quem está de fora do problema consegue compreender com profundidade o sofrimento que isso envolve e a importância vital que a solução desse problema possa ter na vida dessas pessoas.  O entrave costuma se originar no desconhecimento do caso e distanciamento do problema por parte de quem faz a lei ou a apóia.


 

Doação de Óvulos x Empréstimo de Útero, o primeiro é aceito e o segundo rejeitado incompreensívelmente:

Por que a não aceitação da sociedade sobre esse fato?  Especialmente quando a doação de óvulos é largamente praticada nas clínicas de fertilidade em sistema de “troca de favores” com uma boa margem de aceitação social?  Ou seja, a sociedade aceita facilmente que uma mulher doe seu óvulo para que outra engravide e tenha um filho que é biologicamente da doadora, no entanto tem dificuldade em aceitar que uma mulher tenha o próprio filho biológico, se esse necessitar “crescer” em outro útero?  A lei brasileira define que a doação de óvulos não pode também ter fins lucrativos, no entanto, se uma mulher precisar fazer um tratamento pra fertilidade e tiver condições de doar óvulos (idade jovem e boa fertilidade) recebe o seu tratamento de graça ou a custos muito reduzidos em troca da doação, o que não podemos negar que envolve um “favor financeiro”.  Porém a sociedade aceita isso como algo positivo.  Ao se entrevistar qualquer doadora, o entendimento da mesma é de que não está realizando um comércio, mas sim, ajudando uma outra mulher a realizar o seu sonho, enquanto recebe o mesmo em troca.  O entendimento desse sistema tanto por parte de quem já praticou, quer doadora ou receptora, quanto pelas outras mulheres em tratamentos diversos para engravidar é positivo.  No entanto, a maioria não aceita bem a idéia da mãe substituta, especialmente quando envolve alguma troca financeira.

O procedimento de doação de óvulos possui mais implicações ao longo prazo do que o útero emprestado.  No caso do útero substituto, uma vez que a criança nasceu, é entregue a mãe definitiva que assumirá totalmente a criança.  A mãe substituta terá cumprido sua missão e voltará a cuidar de seus próprios filhos, agora com os recursos extras recebidos por seu bom trabalho e a satisfação de ter ajudado outra mãe. 

No entanto, a doação de óvulos não é igual, pois a receptora conviverá com um filho que não é biologicamente seu, lidará com suas próprias questões internas para aceitar que essa criança substitua o sonho original de ter seu filho biológico, conviverá com a incerteza de como a criança no futuro lidará com o fato quando descobrir, uma vez que atualmente com tanta informação científica será muito difícil esconder esse segredo pra sempre.  Do outro lado, a doadora do óvulo conviverá com a incerteza do destino de seu filho biológico: se este está com boa saúde, se está sendo totalmente aceito na outra família, se um dia se conhecerão por acidente, se poderá acontecer como na ficção que este venha a namorar por acidente a irmã biológica (ainda que a probabilidade seja mínima), entre muitas outras incertezas.  Outra questão relevante são as doenças hereditárias e outras peculiaridades hereditárias, que se tornarão mais difíceis de serem diagnosticadas, tratadas, ou mesmo entendidas e aceitas, sem o histórico e a presença da mãe biológica.  E quando lidamos com uma criança especial, com inúmeras necessidades de cuidados e gastos por toda a vida, que serão inteiramente da responsabilidade da receptora e do pai da criança, será que a aceitação será total em 100% dos casos ao longo de todos os anos?  Não sou contrária à doação de óvulos ou espermatozóides, porém considero que envolve inúmeras questões éticas e pessoais que continuarão sendo polêmicas toda a vida, enquanto considero que o empréstimo do útero é um procedimento consideravelmente mais simples eticamente falando.

 

 

Em que a lei poderia servir para ajudar:

No lugar de proibir o ganho financeiro com o empréstimo do útero, o que leva o procedimento a ser realizado de qualquer forma, só que ilegalmente, seria mais útil que a lei apoiasse e delimitasse alguns detalhes a fim de tornar o ato mais seguro para todos os envolvidos.  Algumas exigências seriam: a proibição de que sejam utilizados os óvulos da mãe substituta; a obrigatoriedade de que a mãe substituta já tenha filhos; uma avaliação psicológica de sua maturidade no entendimento do procedimento; uma definição contratual clara sobre a responsabilidade integral do futuro casal de pais em assumir o(s) filho(s) em qualquer circunstância, assim como em arcar com quaisquer custos inerentes a gravidez e a saúde da gestante durante e após a mesma desde que os eventos sejam advindos da gestação; uma definição por contrato da obrigatoriedade da gestante em entregar o bebê ao casal após o parto; a limitação do número de vezes que cada mulher poderia ser barriga de aluguel (que poderia ser até 1 única vez, por exemplo), entre outros.  Atualmente a maioria dos médicos sérios já realiza exigências diversas, outras inclusive nem mencionadas, como, por exemplo, que a mãe substituta expresse não desejar mais ter filhos.  Na verdade, como ao contrário dos ovários, o útero demora muito a envelhecer, a mãe substituta pode inclusive já está na menopausa, sendo uma mulher madura e mãe de vários filhos.

 

Conclusão:

A grande questão da permissão da barriga de aluguel é que trata-se de algo vital para quem desta necessita.  Envolve sonhos, expectativas, perspectivas que não podem ser ceifadas simplesmente pela falta de conhecimento da sociedade sobre o tema.  Esse assunto deveria ser primeiramente discutido pelas pessoas que efetivamente necessitam do processo, e pelas que oferecem seus serviços como mães substitutas.

Rose

 
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